O conceito de Ópera Popular tem sido bastante utilizado nos últimos tempos, apesar de não haver uma uniformidade em sua utilização. Alguns empregam este termo para designar o grau de popularidade da peça, como, por exemplo, é definido como ópera popular La Traviata e Rigolleto, de Verdi. Isto deve-se ao fato destas obras terem como protagonistas uma prostituta e um corcunda, rompendo com a tradição das figuras mitológicas e históricas sempre povoarem os libretos das óperas.
No Brasil o maior nome desse universo é sem dúvida Carlos Gomes, embora outros compositores tenham, também, se dedicado a essa criação. Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Francisco Mignone são alguns deles. Mas a grande discussão que envolve a ópera, além do seu aspecto artístico, está no seu simbolismo. Cultuada, consumida e representativa de uma elite que a transformou em um dos símbolos mais marcantes e significativos de um “gosto superior”, a ópera, ao longo das últimas décadas, passou a ser vista como uma arte de poucos e para poucos, principalmente a partir do século XX por ter perdido a interlocução com a sociedade em seu dia a dia. Os elementos que fundamentalmente compõem a ópera – música, teatro, dança, literatura e artes plásticas – não foram preservados no sentido maior da arte, que é criar sensações ou estados de espírito, de caráter estético carregado de vivência pessoal e profunda. No Brasil, especialmente, foi e é observada como representativa de uma realidade distante e, muito em especial quando se trata da cultura popular.
O Centro de Ópera Popular de Acari foi criado na contramão desse pensamento, partindo da observação do mundo de hoje e todas as suas manifestações culturais, sociais e artísticas, para promover o encontro dessas manifestações, de forma absolutamente contemporânea quanto ao tempo e espaço. O Centro de Ópera se apropria de todo conhecimento gerado nessa área no aspecto político/cultural e tem se inspirado nos movimentos pontuais que discutem e discutiram a arte brasileira popular e erudita. No Brasil diversos artistas e pensadores se debruçaram sobre esse tema, o da construção de uma arte erudita brasileira, a partir dos elementos e valores de nossa cultura. Alguns movimentos se destacaram nesse sentido, como a Semana de Arte Moderna de 22 e o Movimento Armorial, e são inspirações para o trabalho desenvolvido no Centro de Ópera.